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O que nos falta

Fred on October 30, 2007,

Faltam pessoas que acreditem que é possível não trabalhar para outros e ainda assim viver melhor. Faltam pessoas que se apaixonem mais facilmente por novas tecnologias do que vasculhar o Hi5, (só) mais uma vez toda a noite. Faltam sair mais startups das universidades. Falta sair mais gente do Sapo (desculpa, Celso) para começar os seus próprios projectos. Falta mais gente que ponha o dedo na ferida de vez em quando.

Falta dinheiro, faltam apoios, falta toda uma série de coisas das quais ouvimos falar vindas do outro lado do atlântico. Ainda assim, a verdade mesmo é que falta vontade de fazer alguma coisa que realmente interesse. De mediocridade estamos (estou) todos fartos.

Temos uma série de empresas que se dedicam a “web development”, apenas uma mão cheia se pode dizer que seja decente (perguntem-me um dia como cheguei a esta conclusão, e conto-vos umas histórias nossas a trabalhar com a PT Inovação). Temos uma série de gente que se diz designer e apenas uma ninharia entendem efectivamente as necessidades actuais do mercado (o que é experience design, mesmo?). Temos uma série de publicações que dizem falar de tecnologia, mas tudo o que fazem é copiar o que se diz no estrangeiro - quando a nossa realidade é tão diferente. Temos grandes portais que infelizmente têm um cérebro orientado à fotocópia (mais sobre isto num post futuro) e não à inovação.

No fundo temos muito de muita coisa, só temos pouco das coisas certas.

Bruno Figueiredo

O que nos falta é deixarmo-nos de desculpas. A principal razão porque não vamos mais longe é porque cada um de nós isoladamente acha que tem a melhor ideia do mundo e não a partilha com ninguém porque afina é essa que finalmente o vai tornar “rico”.

É preciso crescermos um bocadinho. Uma ideia por si só não vale nada. Só vale se for executada. Por isso deixemo-nos de criancices. Juntem-se em grupos e façam dessas ideias realidade. Se fizermos isso vamos ver que afinal em Portugal afinal há bastante energia. A união faz a força.

Bruno Pedro

Como diria um certo poeta que, por acaso, também andou aí por Coimbra:

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta é agitar a malta

Como é que a malta se agita? Simples: dêem-lhes uma promessa de dinheiro fácil e eles mexem-se logo. Dêem-lhes garantias que tudo correrá bem e eles animam-se. Dêem-lhes uns subsídios para comprarem uns BMWs e eles acordam. Dêem-lhes uma cenoura e eles correm.

A malta está pacificada e embrutecida pelo medo de perder o torrão de açúcar que recebe no final de cada mês. Esquecem-se é que quem lhes dá o açúcar regularmente também o pode deixar de dar de um momento para o outro.

Estarei a ser exagerar nesta minha interpretação? Talvez. Só o tempo o dirá.

Gustavo Pimenta

@Fred

Discordo da ideia de que a tendência deva ser unidireccional para o empreendedorismo: acho que fazem tanto falta pessoas que se aventurem no seus próprios projectos como pessoas com qualidade e garra para melhorar os grandes players por dentro.

@Bruno Figueiredo

Não podia concordar mais contigo: uma ideia por si só não vale nada.

@Bruno Pedro

Discordo contigo quando defines como pacificadas e embrutecidas as pessoas que optam por trabalhar por conta de outrem. É uma opção tão legítima como outra qualquer. Porque não defini-las como pessoas que optaram por um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal? ;-)

Algo a dizer?