O tempo para escrever no blog (tanto neste como no outro) tem escasseado, mas desta vez há boas novidades (se bem que provavelmente já do conhecimento de parte de quem lê isto). Nos dias 6 e 7 de Setembro, o Barcamp Portugal volta a acontecer! O site já está online há algum tempo e já há inscritos e sessões propostas, certamente com mais de ambos a caminho.

O que é: Para quem não sabe, o Barcamp é um evento semi-ad-hoc sobre tecnologia, inovação, e empreendorismo. Mas na realidade, é bem mais do que isso. É uma boa oportunidade para conhecer (ou rever) gente com ideias interessantes e experiências para contar. É uma boa ocasião para encontrar oportunidades novas, e até mesmo combinar encontros futuros (outros Barcamps, quem sabe). E como calha sempre bem dizer, os participantes do Barcamp são encorajados a participar com sessões para além de marcar presença nas de outros.
Este ano: Não quero começar já a desfazer as surpresas para este ano, mas vão haver algumas. Não sei se haverá vontade (por parte de vocês) de repetir o Halfbaked, mas acho que vão gostar das coisas que estamos a planear. Registem-se já (só para termos uma ideia de quantas pessoas vão aparecer) e preparem-se! ;-)
PS: Quem tiver dedo (ou vontade de ganhar dedo) para coisas mais experimentais (arduino, processing / open frameworks, LEGO robotics, data viz, mashups) que fique atento porque vai haver uma hacking&pizza session lá pelo meio (e pela noite dentro, vá). Meh, parece que pelo menos uma das surpresas já estraguei :-)
Este ano tenho o prazer de estar a trabalhar com a O’Reilly na organização da Web 2.0 Expo em Berlim, e como tal cabe-me parte da tarefa de definir o programa e oradores do evento. Para quem nunca foi a uma Web 2.0 Conference, é importante dizer que é considerada pela industria como a conferência mais relevante do momento na nossa área - e infelizmente até hoje houve pouco envolvimento de pessoas e projectos portugueses. Seria bom se isso mudasse um bocado.
Bom, tudo isto para dizer que a call for papers está agora oficialmente aberta, e dura até o próximo dia 2 de Junho à meia noite. Posto isto, usem este link para submeter a vossa proposta para uma talk na conferência. As propostas vão ser lidas e aprovadas por um juri, sendo que eu estou encarregue das tracks de Design/User Experience e Development. Mãos à obra!
PS: Um aparte - aparentemente durante o upgrade para a ultima versão do Wordpress, a feed deste blog deixou de funcionar correctamente, pelo que podem ter falhado um ou dois posts. O problema já foi corrigido. Obrigado ao Tiago pelo aviso.
A partir de amanhã de manhã - e durante três dias - parte da nossa equipa @ Webreakstuff vai estar por Lisboa para a OFFF. Vai ser uma boa oportunidade para absorver ideias e para rever pessoas que não vemos há algum tempo. Felizmente este ano a OFFF é por terras lusitanas e não é preciso ir a Barcelona ou New York para encher a cabeça de design, motion graphics e information visualization.
Já estou em pulgas e ainda não me fui deitar. Até amanhã por lá!
De acordo com um press release da Vodafone lançado hoje de manhã, a Vodafone vai começar a vender o iPhone em Portugal perto do final de 2008. Depois de tantos rumores que seria a TMN com o exclusivo, o negócio mais plausível vem à tona. Certamente os números de um negócio que envolve 10 países com a Vodafone batem os de um que envolve apenas Portugal com a TMN - e a Apple nesse aspecto não se faz rogada.
Pode ser é que isto também faça com que o plano de dados da Vodafone deixe de ser ridículo (s/ridículo/absurdo) como é hoje em dia, já que parte importante da funcionalidade do iPhone é estar constantemente “online”. E claro, quanto mais cedo lançarem a funcionalidade de Visual Voicemail por cá, mais rapidamente o botão no meu telefone deixa de se sentir sozinho e inutil.

Se há coisa que eu gosto por cá, é de como tanta gente cai no conto do vigário - e oh se há vigários por aí, amigos. Só porque as pessoas vos afagam o ego (a vocês, os enganados), andam que nem sonhadores atrás do novo messias. O novo messias não sabe um décimo do que fala, mas tem lábia para vocês e mais meia duzia. O novo messias, inventou o javascript, o ruby, o python e o dotnet.
O novo messias faz de (vós) gato sapato e das tripas, coração. Vem salvar-vos dos problemas físicos, morais e de scaling de aplicações. Porque o novo messias, é omnipotente, omnipresente e enterprise-ready. O novo messias é cão-político, gato-político e facho-liberal. O novo messias muda de lado como eu mudo de t-shirt, mas como é amigo de todos e inimigo de nenhum, cá andamos agarrados à nova fé.
Eu sei que o post é críptico, amigos. Mas para bons entendedores, meia palavra basta. E hoje acordei poeta. Poeta e farto disto. A ilustração, é desta senhora.
Há muito que a nossa equipa @ Webreakstuff andava a planear fazer uma série eventos e acções de formação abertos ao público - já que até agora todas as formações foram fechadas e orientadas a grandes empresas. Assim, já nos dias 19, 20 e 21 de Maio, vamos ter o nosso primeiro evento - Training em Ruby on Rails.
O programa de 3 dias é o mesmo que temos leccionado a empresas como a PT Inovação, e é direccionado para programadores com ou sem experiência de Ruby ou Ruby on Rails. Cobre desde os básicos da Framework e da linguagem em que assenta, até tópicos avançados como segurança em aplicações Rails-based, deployment e scaling de aplicações. O objectivo é que os participantes saiam destes 3 dias à vontade para fazer o seu primeiro projecto em RoR.
Como as nossas formações são hands-on e envolvem escrever código (especificamente, desenvolver uma aplicação inteira em Ruby on Rails), o número máximo de participantes para esta acção é limitado a 20 pessoas. Assim evita-se que estejamos 3 dias a passar slides e falar, e faz com que toda a gente tenha uma muito melhor ideia de como tudo funciona.
Estamos a fazer um desconto de 50% para estudantes que queiram participar na formação, para o qual só precisamos de um comprovativo de matrícula num estabelecimento de ensino. Para mais informações, consultem o nosso site de training, ou enviem um email para training@webreakstuff.com. Até Maio!
Nota: Como sempre, empresas que queiram training on-site em Ruby on Rails podem entrar em contacto connosco por email.
Em conversa no escritório @ Webreakstuff há uns dias atrás, surgiu o tema de “porque não investir mais tempo a trabalhar com o mercado nacional?”. Interessante não foi tanto a pergunta como a resposta quase unânime de que “não compensa, por várias razões”, a ver:
1) O mercado nacional é limitadíssimo. Ainda estamos numa fase em que há poucas empresas a precisar do tipo de trabalho sobre o qual nos temos direccionado - daí a nossa carteira de clientes portugueses ser limitada (apesar de interessante). Claro que isto não é necessariamente mau - significa apenas que as necessidades que temos no nosso país estão ainda para apanhar a onda do que vem do outro lado do atlântico (a seu tempo).
O mercado é limitado porque há pouca gente (e perdoe-me quem me conhece e já ouviu ou leu o discurso antes) com um espírito empreendedor. Sair de um curso seja onde for e ficar no local de estágio mesmo sendo numa empresa de renome (Siemens, Critical Software, PT ou Microsoft) é estragar criatividade, no caso de algumas pessoas. Seria importante que mais dos recentes engenheiros (ou drop-outs, não me afecta minimamente o canudo) se preocupassem com ser concorrência do que pertencer aos quadros de outras empresas.
2) Falta de noção da realidade: Ainda há muitas empresas que tentam tirar partido das pessoas que lhes prestam serviços. Se vos fosse a contar todos os casos de scope-creep, redução de orçamentos, falta de qualidade de produção, falta de noção de deadlines e outras coisas que vão acontecendo por aí, teria matéria para alimentar este blog por uns tempos. É triste como lidar com os poucos clientes nacionais que temos nos dá uma amostra tão boa de tudo isto.
3) Compadrios: Não se pode fazer um post sobre o estado das coisas sem tocar neste assunto. O mercado nacional é movido a conversas por baixo da mesa e acordos entre amigos. Concursos estatais para desenvolvimento de serviços com impacto nacional são pre-meditados, pre-calculados e pre-acordados. Muitas vezes, a relevância de alguns deles é tanta como a dos Malucos do Riso na SIC, depois do Telejornal. Tudo isto tentando ignorar o facto de alguns projectos com orçamentos na ordem dos milhões terem a qualidade de um projecto feito em part-time por leigos.
Resumindo, muitas vezes nem se trata de falta de vontade mas sim de oportunidades. Oportunidades de trabalhar com pessoas com ideias genuínas com conhecimento suficiente para compreender como se deve desenvolver um projecto de software, e que não sejam movidas a empréstimos e trocas de favores. De qualquer maneira, não quero parecer pessimista - ainda se vai vendo quem veja a luz de tempos a tempos, mas não é tanta gente quanto devia ser.

Ontem ocorreu-me (depois de estar a discutir ideias com o Bruno Pedro e o André Ribeirinho que vieram a Coimbra almoçar com o pessoal @ Webreakstuff) que os empreendedores nacionais carecem de informação no que respeita a investidores. Aliás, muitas vezes nem é o conhecimento em si que falha, mas o facto de não haver qualquer tipo de comunicação publica por parte de pessoas ou entidades no mundo do investimento nacional.
Porque é que me há de parecer - e parece - mais simples entrar em contacto com investidores em Sandhil Rd na California do que entidades nacionais? Onde é que estão os gestores de fundos (sejam de que tamanho for) nacionais que estão a investir em IT e software services? Existem? E se existem, onde estão os blogs e as twitter accounts? Como estão a comunicar com os potenciais criadores nacionais? Como estão a seguir o panorama nacional e internacional? Estão de olho em quê?
Já por várias vezes argumentei que uma das grandes chaves para a criação de um ecossistema de inovação nacional são as pessoas, mas há que salientar que sem participação real no que vai acontecendo pelo mundo fora, se torna muito complicado de produzir novas cabeças (e oportunidades).
Ed: Claro que não estou a forçar ninguém a ter twitter accounts ou blogs, mas se general partners em VC firms como a Sequoia ou a Kleiner Perkins os usam para extrair e opinar sobre potenciais negócios, faria sentido que os seus counterparts nacionais também o pudessem (devessem?) fazer. Seria um início.
Isto é claramente um post atípico, mas melhores virão decerto agora que mudámos de dígito no campo destinado ao ano no calendário. Ontem e hoje (sim, porque nos dias anteriores não consegui sair de casa por andar doente) notei que as portas de sítios como centros comerciais e cafés se tornaram grandes salas de chuto para fumadores. Aliás, a mudança da lei do tabaco teve um impacto tão forte que o ar está mais poluído à porta dos locais que frequento do que propriamente lá dentro - o que, se quiserem mesmo saber, é bem melhor do que antigamente.
Pelo menos não volto a cheirar a torrado depois de ir comer francesinhas às 3 e meia da manhã. A máquina da roupa agradece - e os pulmões também. Claro que é à custa de umas constipações para os que fumam darem corda ao vício, mas já se dizia antigamente que quem corre por gosto não cansa (pensando bem, correr e tabaco não joga muito uma coisa com a outra, tipicamente).
O sensacionalismo tem coisas engraçadas - e outras sem piada nenhuma. Vi há pouco as notícias na TV sobre o Codebits para as quais dei entrevistas e parece-me importante clarificar alguns pormenores em relação ao que foi dito pela SIC e RTP - porque exagerações (mesmo as que são para “melhor”) são desnecessárias.

Segundo reza a história da RTP, aos 25 anos já recusei ofertas do Google e do Yahoo. Teor de veracidade desta frase: 33%. Com 24 anos (não apressemos o passar do tempo mais do que o necessário), recusei efectivamente uma proposta do Yahoo feita este ano para me juntar à Yahoo Brickhouse. No entanto, o meu envolvimento com o Google foi mais simples que isso, e cingiu-se à participação no primeiro Google Summer of Code e umas visitas ao campus de Mountain View enquanto estive a viver nos EUA - por outras razões que não uma proposta de emprego, bem entendido.
Ninguém “dá nega” a propostas de trabalho do Yahoo sem ser por uma boa razão, e a minha razão (boa ou não) foi a criação da Webreakstuff apenas 3 meses antes - pelo que seria ridículo abandonar o projecto a favor de fosse o que fosse. Posto isto, adiante. Não gosto de pretensiosismo, muito menos quando exageram sobre a realidade e me envolvem a mim. A verdadeira história no jornal da noite devia ter sido a quantidade de projectos e pessoas que vimos no Codebits, e o sucesso que o evento foi.